Trabalho em grupo traz benefícios para o aprendizado

Desde 1987 atuando co­mo professora de português em escolas públicas, Ermelinda Vigilante tomou um susto ao voltar a dar aulas a turmas do terceiro ano do ensino médio, após anos dedicando-se à alfabetização de crianças menores. Com certa frequência, ela passou a escutar de alguns estudantes que eles “odiavam ler e escrever”. A atitude contrastava com a postura dos alunos menores, com menos de 11 anos, que sempre se mostravam abertos e interessados no conteúdo da matéria que ministrava. Intrigada, a docente se perguntou o que ocorrera nesse intervalo de tempo, que levou os jovens a se desinteressarem pelo conteúdo das aulas. “Uma das conclusões a que cheguei é que, na medida em que o estudante cresce, o conhecimento passa a ser lecionado em ambientes menos colaborativos e mais competitivos, algo que não contribui para seu envolvimento com as aulas”, afirma a docente. Para reverter esse quadro, a professora defende que as metodologias de ensino baseadas em trabalhos em grupo devem desempenhar um papel central, na medida em que permitem aos alunos se apropriarem do conhecimento e melhorarem a postura na resolução de conflitos.

Essa também é a premissa cen­tral dos pesquisadores e do­centes que, a exemplo de Ermelinda, são adeptos da teoria histórico-cultural, que remonta suas origens aos estudos do psicólogo bielorrusso L. S. Vigotski (1896-1934) e defende que o ensino e a aprendizagem são processos mediados cultural e historicamente pelas relações humanas. Tal visão se opõe à ideia de aulas baseadas somente no ensino mnemônico e sustenta que o professor deve valorizar a experiência social como caminho à evolução do próprio processo cognitivo. O assunto ganha tamanha importância que, segundo Anita Abed, pesquisadora e psicopedagoga na MindLab Brasil, o próximo Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) vai avaliar, também, as formas como as escolas estimulam os alunos a trabalhar em equipe. “Saber trabalhar em grupo e lidar com imprevistos são necessidades do mundo atual. E essas habilidades devem começar a ser desenvolvidas na própria escola”, defende.

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