A favor da educação livre

A escola de hoje, com todos os seus problemas, é uma conquista da sociedade brasileira. Ampliou enormemente o acesso à educação ou pelo menos a um tipo específico de educação, conteudista, cujo foco é a especialização técnica. Também serve, às vezes, de refúgio para crianças de famílias gravemente disfuncionais, ampliando o círculo de relações dessas crianças e, portanto, a chance de algum acolhimento (ainda que, outras vezes, seja o contrário: a criança provém de família razoavelmente equilibrada e encontra um contexto perturbador e hostil). A expansão da rede de escolas, no Brasil, teve um papel decisivo na redução do trabalho infantil. As conquistas desse modelo precisam ser honradas.

Em contrapartida, o custo humano dessa estratégia de educação – da escola para as massas – é alto. Os sinais falam por si: bullying, variados graus de violência (desde modalidades mais sutis até os tiroteios e assassinatos em massa), evasão de alunos e de profissionais, afastamento por transtornos médicos e psiquiátricos, exclusão social, rótulos, estigmatização, falta de sentido, depressão e suicídio.

Entendo também que há um ‘currículo oculto’ da escolarização, de forte carga ideológica, cujo programa envolve formar rebanhos de pessoas acríticas, anestesiadas do ponto de vista social e, especialmente, político. Seres humanos dóceis, doutrinados desde cedo a abaixar a cabeça diante de autoridades e saberes externos. A criatividade, a singularidade e a paz de espírito são sacrificadas em nome do ajustamento a um sistema maquínico, inumano.

Leia na íntegra em: http://porvir.org/porpensar/favor-da-educacao-livre/20131031