Introdução à variação linguística

Apresentação

A linguagem faz parte de nosso dia a dia. Comunicamo-nos das mais diversas maneiras. Por isso, não há modelos definitivos de comunicação, ou seja, as pessoas usam a linguagem de maneiras diferentes em diferentes contextos. A partir da análise dos falares de pessoas que vivem em diferentes regiões, constata-se a variação geográfica. É o que estudaremos neste conteúdo.

OBJETIVOS
  • Reconhecer as variações linguísticas em diversos contextos sociais, bem como manifestações de preconceito linguístico.
  • Analisar aplicações de língua padrão e não padrão.
  • Relacionar o emprego das variações linguísticas em cada região.
  • Compreender as variedades da língua como prática social e não como erro gramatical.

Ficha técnica

Unidades didáticas às quais este conteúdo pode pertencer:
  • Sociolinguística
Outros conteúdos que podem se relacionar a este:
  • Linguística de textos
  • Dialetologia
  • Variações Linguísticas
Níveis de ensino apropriados:
  • Ensino Médio

Créditos

Autores:
Coordenação pedagógica: Profª. Dr. Valeria Iensen Bortoluzzi
Coordenação técnica: Prof. Ms. Iuri Lammel
Instituição: Centro Universitário Franciscano (UNIFRA)
Data de publicação: Maio de 2013
Local: Santa Maria, RS
Como citar este conteúdo:
MAIS UNIFRA. Introdução à variação linguística. Santa Maria, RS: Unifra, 2013. Online. Disponível em: http://maisunifra.com.br/conteudo/introducao-a-variacao-linguistica/.

Bibliografia

Bibliografia que embasa este conteúdo:
  • BAGNO, Marcos. Preconceito lingüístico: o que é, como se faz. São Paulo: Loyola, 2009.
  • BAGNO, Marcos. Nada na língua é por acaso. São Paulo: Parábola, 2010.
  • BORTONI-RICARDO, Stella Maris. Educação em língua materna: a sociolingüística na sala de aula. São Paulo: Parábola Editorial, 2004.
  • BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Orientações curriculares para o Ensino Médio: linguagens códigos e suas tecnologias / Secretaria de Educação Básica. vol. 1. Brasília: MEC, 2006.
  • MOLLICA, Maria Cecília; BRAGA, Maria Luiza. Introdução à sociolinguística: o tratamento da variação. São Paulo: Contexto, 2004.

Espaço do professor

Olá, professor!
A seção Ideias e Propostas tem você como foco, ao fornecer sugestões de trabalho, em diferentes contextos, com os conteúdos que você encontra no MAIS Unifra. O documento que você vai acessar não é um plano de aula, por isso não pode substituir seu planajemento pessoal. Mas você poderá ter boas ideias a partir das nossas.
Aproveite este espaço e bom trabalho!

Introdução

Entre tantos fatores que nos diferem dos demais seres, a linguagem é o principal deles, uma vez que nos permite expressar sentimentos, conhecimentos e opiniões. Nesse sentido, pensar nas milhões de pessoas que vivem no Brasil, que apresenta um vasto território, caracterizado por regiões geográficas diversas, é pensar que há uma grande possibilidade de que essas pessoas não falem exatamente a mesma língua. A partir disso, entende-se o português brasileiro como língua heterogênea, ou seja, que apresenta inúmeras variações, dentre elas a variação geográfica.

Esse tipo de variação considera os limites físico-geográficos como um determinante para analisar os mais variados modos de falar uma língua em determinada região. Então, este conteúdo tem como objetivo maior oferecer um variado número de atividades que possam promover o entendimento da Língua Portuguesa com suas inúmeras variações linguísticas.

Língua padrão e não padrão

A Língua Portuguesa pode dividir-se, no mínimo, em dois grandes polos: língua padrão e língua não padrão. A língua padrão constitui-se de um modelo, ou seja, uma ideologia linguística de poder simbólico sobre os falantes urbanos mais escolarizados. É utilizada pelas classes intelectuais da sociedade, na forma escrita e, com menor intensidade, também na linguagem oral. É também a língua oficial de comunicação governamental, escolar/acadêmica e empresarial, aquela que identifica nossa nação aos olhos dos estrangeiros. Já a língua não padrão, possui uma gama de variedades, uma vez que depende de fatores sociais relacionados ao falante, tais como: faixa etária; grau de escolaridade; classe social; localização geográfica; sexo; dentre outros.

Assim, percebe-se que a língua padrão corresponde às regras prescritas pela gramática normativa, estando diretamente ligada à escrita. Em contrapartida, a língua não padrão corresponde à oralidade, grandemente determinada pela gramática natural do ser humano (aquela construída na interação diária, desde que nascemos), sendo, assim, muito mais heterogênea.

A língua não padrão na escrita

É importante saber que, em alguns casos, a língua não padrão pode estar representada na escrita, desde que esteja em sintonia com o contexto utilizado. Um exemplo claro disso, são as histórias do personagem Chico Bento, de Maurício de Sousa.

Os ambientes sociais devem ser levados em consideração quanto ao uso da linguagem. O trato social em ambientes formais requer o uso de língua padrão, já os ambientes informais, por sua vez, não exigem a articulação de uma fala rebuscada ou baseada nas regras gramaticais. Pode-se, nesse caso, utilizar as mais diversas variedades linguísticas possíveis. Nota-se que o falante adapta sua fala a todo momento, conforme o ambiente em que está.

A Geografia Linguística no Brasil

Você sabia?

Você sabia que a formação histórica e étnica, as condições econômicas e sociais e a fisionomia moral do nordestino o fazem um tipo perfeitamente caracterizado e diferenciado? Acredita-se que só não há um dialeto nordestino muito mais acentuado porque o Rio São Francisco serve como nivelador linguístico, uma vez que liga o centro do país com o nordeste.

As variações geográficas também podem ser entendidas como dialetos ou falares, que representam o modo característico de uso da língua num determinado lugar. Além disso, todo e qualquer indivíduo varia a sua maneira de falar, independentemente de seu grau de instrução, classe social, faixa etária, etc.. Isso ocorre devido ao aprendizado das normas sociais que prevalecem em cada cultura.

A língua varia de um lugar para o outro. Portanto, a fala das diferentes regiões brasileiras é um fator importante para diferenciar sua origem geográfica.

Sabemos que o Brasil é um país rico em variedades sociais e culturais. Devido à miscigenação de raças e povos vindos de outras regiões do mundo, o Brasil tomou forma de um país culturalmente rico. A Língua Portuguesa falada no nosso país também é resultado dessas culturas, admitindo uma série de variações, dialetos e sotaques.

A língua padrão, escrita, mantém-se a mesma em todas as regiões do país, já a língua não padrão, pertencente à oralidade, varia, nesse caso, conforme a localidade.

O Preconceito Linguístico

Frente ao fenômeno da variação linguística, deparamo-nos, muitas vezes, com situações de discriminação com relação a alguns falantes de Língua Portuguesa. Essas atitudes são reconhecidas como manifestações de preconceito linguístico.

Não se pode tratar as variedades linguísticas, aquelas que mais se afastam dos padrões estabelecidos pela gramática tradicional das formas diferentes daquelas que se fixaram na escrita, como se fossem desvios.

A primeira reação de um falante escolarizado, diante do português não padrão, poderia ser considerá-lo um português errado, corrompido. Isso ocorre devido a uma sociedade que adotou como modelo de língua exemplar o uso característico de um grupo restrito de falantes que falavam bem a língua. Com isso todas as demais variedades regionais e sociais foram consideradas erradas. Bagno (2010) contesta que se defina erro como todo e qualquer uso que escape do modelo idealizado, toda e qualquer opção que esteja distante da linguagem literária consagrada, além de tudo o que não conste dos usos das classes sociais letradas urbanas com acesso à escolarização formal e à cultura legitimada. Fazer isso é agir com preconceito diante das variedades da língua.

Atividades

Em cada um dos botões abaixo, você vai encontrar uma história em quadrinhos sobre este conteúdo didático. Abaixo de cada história, você também encontra uma atividade para testar seus conhecimentos.

MAIS

Objetos de Aprendizagem

miniatura_let_hq-variacao3
Aula de matemática
Leia a história em quadrinho e então responda à questão de V ou F sobre variedade padrão ou não padrão da língua.
Tipo da mídia:
miniatura_let_mapa-sociolinguistico
Mapa Sociolinguístico
Viaje pelas cinco regiões do país e descubra curiosidades e características linguísticas de algumas localidades.
Tipo da mídia:
miniatura_let_hq-variacao1
Pedido de informação
Leia a história em quadrinho e então responda à questão de V ou F sobre variação linguística.
Tipo da mídia:
miniatura_let_hq-variacao2
Preconceito linguístico
Leia a história em quadrinho e então responda à questão sobre preconceito linguístico.
Tipo da mídia:

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